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Saí de casa lá pelas 20:00 hs para ver o show do Deicide. Nunca fui uma fã exaltada de Death Metal, mas eu não podia perder o Deicide. Os caras são pioneiros do gênero e são conhecidos pelo seu virtuosismo.

Sim, o Death Metal pode ser virtuoso. Normalmente os bateras de Death Metal são incrivelmente técnicos e eu nunca vi um guitarrista do estilo que não fosse bom. Os vocais guturais e a aparente cacofonia disfarçam a complexidade da música. O Death Metal pode ser comparado a uma gravura de H.R. Giger (criador do monstro do filme Alien). A imagem pode até assustar de início, mas, depois que você supera o susto e vê o quê realmente é a pintura, você passa a achar que o artista é um gênio.

Pois bem, eu e uma amiga, ex-baterista de uma banda história da cidade, seguimos em meu pequeno Pegeout até o local do evento, o Lions Club de Taguatinga. Ele seria a minha guia até o local do evento, pois eu nunca havia estado lá e ela já tinha visto o Obituary, outra banda fantástica de Death, naquele mesmo lugar.

O endereço não estava muito claro no Flyer, o que dificultou que chegássemos lá. Passamos uma hora tentando localizar o tal do Lions Club. Parávamos em pontos de ônibus e até mesmo em barzinhos para pedir informações. O pessoal de Taguatinga era muito prestativo ao nos tentar ajudar, mas nunca dava as orientações corretas. Parecia que ninguém sabia onde era o Lions Club! Para piorar, Taguatinga é um dos piores lugares para se dirigir no Distrito Federal, pois quase não há retornos e a quantidade de obras inacabadas no caminho para lá deixa o motorista naturalmente estressado.

É, eu estava estressada e chateada. Já eram 21:00 e eu tinha certeza que tinha perdido o show quando eu a minha amiga vimos um cabeludo vestido de preto com cara de também estar perdido. Paramos e fomos falar com ele. O headbanger também estava indo para o show do Deicide e disse que o Lions Club era por ali, perto do Hospital Santa Marta.

O Headbanger, de nome Philip, entrou no carro e seguimos mais alguns metros até darmos de cara com um aglomerado de gente vestida de preto. Havíamos finalmente chegado!

O show do Deicide ainda não havia começado e ficamos do lado de fora conversando com as pessoas. Lá nos disseram que o Glen Benton, vocalista do Deicide, teria saído uma hora antes, andado no meio da galera e perguntado se ninguém iria querer tirar foto com ele.

A ansiedade aumentava, havia várias bandas de abertura, todas pareciam ser boas do lado de fora, mas a maioria das pessoas ainda estava do lado de fora. Foi então que eu entrei.

O palco já estava montado para o Deicide. Um crucifixo invertido feito com lâmpadas tinha sido colocado na parte de trás do palco, o que dava para sentir que o show ia ser muito bom. A banda subiu ao palco e ficamos de cara com o entrosamento deles. Nunca tinha ouvido nada sem os irmãos Hoffman, guitarristas que saíram em 2004, e estava ansiosa para ouvir os relativamente novos guitarristas.

Não fiquei decepcionada, os caras mandaram muito bem. Um dos guitarras estava com uma Ibanez de 7 cordas, o que o possibilitava alcançar notas mais graves e deixar o som da banda ainda mais sombrio.

O baterista, Steve Asheim é um monstro na bateria. Pedais duplos, sons satânicos e extremamente complexos saíam de seu instrumeto. Sua boa aparência e musculatura definida chamou a atenção das mulheres no local, eu incluída!

Quanto a Glen Benton, o cara é simpático e carismático com o público. É incrível como ele executa linhas extremamente complexas no baixo enquanto consegue cantar.

Eu quis chegar bem perto do palco, mas não consegui ficar na primeira fila porque a galera havia montado um mosh-pit. Não dava para subir no palco para se jogar na platéia, mas a galera dava um jeito. Um carinha até subiu no palco para tentar pular, mas foi retirado pelos seguranças antes que pudesse fazer qualquer coisa. Senti que tinha que sair dali ao levar um empurrão e quase cair no chão, mas, mesmo assim, dei um jeito e consegui tirar umas fotos com o meu celular.

Para falar a verdade, eu queria chegar mais perto para ver melhor a cara do Glen Benton. Quando eu era adolescente, lá pelos idos dos anos 90, a molecada do Metal ficava comentando que ele teria um crucifixo invertido marcado com ferro em brasa na testa e que ele se mataria ao completar 33 anos.

Bom, ele tem um crucifixo invertido na testa, mesmo. Eu vi com os meus próprios olhos. De acordo com a Wikipedia, Glen Benton teria marcado a sua testa repetidamente com tal crucifixo em 12 ocasiões diferentes. Não entendi por que a Wikipedia afirma isso, pois, a meu ver, quando alguém é marcado uma vez, não precisa ser marcado de novo. Mas, de qualquer jeito, pude atestar que o Glen Benton parece ser um cara legal, não tem aspecto satânico, toca muito, e tem uma depressão na testa em forma de crucifixo invertido. Não sei como ele conseguiu aquilo, mas que está na cara dele está.

O público, que era de umas 800 pessoas, delirou com clássicos com Dead By Dawn e Dead But Dreaming. Eu não me lembrava, pois fazia um bom tempo que eu não ouvia Deicide, mas Dead But Dreaming está no álbum clássico de 1992, Legion.

Bom, eu tenho interesse em ocultismo e sei que Dead But Dreamining tem a ver o mito babilônico de Cthullu, descrito em diversas músicas de metal e até mesmo de rock gótico. Os caras da banda gótica Fields Of The Nephilim, cujo vocalista é ocultista e dono de uma oficina mecânica, repetidamente abordaram a temática de Cthullu em suas letras. Fiquei de cara, pois, naquele momento, percebi que o notável ateísmo e as heresias do Deicide não eram simplesmente para chocar, mas que os caras realmente tinham conhecimento do que falavam. Isso só fez que eu delirasse, a banda é foda, os caras são bons para cacete.

No final, a banda terminou o set e agradeceu e não voltou para o BIS. Esperamos, esperamos, mas eles não voltaram. Eu compreendi, pois tocar naquela intensidade é bastante difícil e eles já deviam estar bastante cansados, especialmente o vocalista.

No final, todos nós voltamos para nossas casas com os ouvidos zumbindo, mas muito felizes por termos visto uma banda incrível.

As únicas coisas ruins foram a dificuldade de acesso ao local, pois o caminho para Taguatinga é, agora, um canteiro de obras, e a falta de qualidade da acústica do local. Bandas de Death Metal tocam alto, muito alto, e a acústica do Lions Club é muito ruim, o que deixou prejudicou o som da banda de forma tal que nem a melhor mesa de som conseguiria consertar.

Eu espero sinceramente que os produtores do evento tenham tido lucro com o show, para trazerem outras bandas para cá. Normalmente artistas do nível do Deicide não vêm para Brasília, o que deixa os fãs chateados e nos obriga a pegar a estrada para outras cidades.

Por fim, o show foi muito legal não só para os fãs de Metal, mas para todos aqueles que apreciam música bem tocada e respeitem instrumentistas virtuosos. Os caras do Deicide são ótimos, carismáticos e incrivelmente competentes. Não precisa ser headbanger para curtir o som do Deicide, basta gostar de música e deixar os ouvidos abertos para a música da banda.

FOTOS DO SHOW

Discografia do Deicide:

Álbuns de estúdio
Álbuns ao vivo
Coletâneas
Vídeos

Fonte: wikipedia

Sites oficiais:

Site da gravadora Roadrunner Records

Página Myspace do Deicide

trecho do show no YouTube (gravado pelo usuário omitofo do YouTube)

FOTOS