O Iron Maiden realmente tocou em Brasília em 20 de março de 2009. Parece difícil de acreditar, mas foi verdade. Depois de décadas tocando em todas as outras grandes cidades do Brasil, eles finalmente vieram para a capital. Havia algo mais do que César Menotti e Fabiano rolando no final de semana brasiliense, e isso trazia um grande alívio para os carentes roqueiros da cidade, que sempre têm que viajar para outros estados para ver shows grandes de Rock ou de Metal.

Eu lembro que eu comprei o ingresso,que foi meia entrada, por conta da carteira de assinante do Correio Braziliense da minha irmã, mas, mesmo assim, falei para todo mundo que só iria acreditar na hora que o Bruce Dickinson cantasse na minha frente. Pois é, aconteceu. Steve Harris, acompanhado de Bruce Dickinson, Adrian Smith, Nick MacBrain, Janick Gers e Dave Murray tocaram em Brasília numa noite maravilhosa, em que tudo deu certo, e em que Liza Minelli foi bastante zoada.

O show começou pontualmente, com a abertura da filha do homem, Lauren Harris. Eu me surpreendi com o guitarrista da banda de Lauren, que é fantástico e parece uma versão magrela do Zakk Wylde.

O sujeito é tão bom que, no final da apresentação, quebrou uma corda da sua Les Paul, mas continuou tocando do mesmo jeito. Só quem é guitarrista sabe como isso é difícil.

Lauren começou um pouco abaixo do tom, mas depois acertou tudo certinho e fez um show bastante legal. Os rapazes da pista vip chegaram a gritar “sogrão” para o Steve Harris, que, à essa altura, já devia estar se preparando para entrar no palco.

Um amigo me levantou e eu mostrei o cd da Lauren que eu tinha acabado de comprar. No final, ela disse que o CD estava disponível para download gratuito no Myspace. Putz... E eu estava me sentindo o máximo por ter sido a primeira pessoa a comprar o CD da Lauren naquele estádio...

Pois é, logo depois começou o show do Iron. A maior parte dos presentes fazia idéia do que esperar depois de ouvir vários álbuns e assistir advd’s ao vivo, mas, mesmo assim ,estávamos bastante ansiosos, porque é muito diferente ver um dvd de estar no show, sentindo tudo na pele.

O show começou com Aces High. As pessoas se esmagavam no gargarejo da pista vip para tentar ver o show mais de perto. Bruce Dickinson detonou, só para variar um pouquinho. Continua cantando o mesmo que ele cantava há 25 anos atrás, só os cabelos, bem mais curtos, é que não continuam os mesmos.

A terceira música era a minha favorita, Children Of The Damned, mas eu não consegui curtir, pois estourou uma briga na pista VIP. Eu realmente achava que fosse passar mal ou que alguém fosse morrer naquele empurra-empurra da pista VIP. Depois da música, o Bruce perguntou se aquilo era um Mosh Pit ou uma briga. Ao saber que era uma briga, ele perguntou: “por que vocês não deixam de ser idiotas e se divertem?” O puxão de ouvido surtiu efeito por um tempo e o pessoal da pista VIP ficou um pouco mais civilizado. Nisso eu aproveitei, empurrei as pessoas que estavam atrás de mim, e cheguei ao fundão da pista VIP, onde estava mais tranqüilo.

Vi muitos headbangers das antigas em estado de êxtase. Confesso que eu também estava na mesma situação. Todos parecíamos em transe, em especial quando o Bruce apareceu vestido de Trooper, com a bandeira da Inglaterra. Todo mundo pirou, pais, filhos, tios, tias, policiais de folga (sim, havia policiais na platéia!), e gritou alucinadamente.

A visão era boa, mesmo para quem estava mais no fundo, pois havia uma estrutura mais alta no palco, por onde Bruce Dickinson andava e corria. Assim, mesmo uma mulher pequena como eu conseguia ver tudo o que um dos melhores frontmen do rock fazia. Bruce mudou de roupa várias vezes, inclusive usando um figurino estilo “ceifador” para uma das músicas mais sombrias do Maiden: Hallowed Be Thy Name. E daí em diante foi só clássico, um atrás do outro. Adrian Smith, Steve Harris, Janick Gers e Dave Murray mostraram que ainda são os caras e abusaram de virtuosismo.

Para mim, pessoalmente, Wasted Years, com o Adrian Smith detonando mais do que nunca, foi um momento muitíssimo emocionante.

No final, o bonecão Eddie deu as caras, no melhor estilo Somewhere In Time, fez alguns gestos obscenos, e deixou a platéia mais maluca ainda. O pessoal das arquibancadas fazia tanto barulho batendo com os pés no chão que dava impressão que a estrutura toda ia desabar.

Liza Minelli, que iria tocar no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, foi bastante zoada. Em um determinado momento, Bruce explicou que Liza Minneli estava no mesmo hotel que a banda e que, por isso, a gente tinha fazer bastante barulho para ela ouvir.

Para quem não sabe, ou é de outra cidade, o Melliá, onde estavam hospedados todo mundo do Iron Maiden, inclusive a equipe de apoio da banda, e a Liza Minelli, fica próximo ao estádio Mane Garrincha, onde ocorria o show.

Muito possivelmente, a Liza ouviu toda a bagunça. Houve pelo menos um outro momento em que a grande diva foi “homenageada”: foi quando o Maiden levou Run to The Hills. Em alguns momentos, Bruce cantou” Run to the Hills, Liza Minelli/ Run for your life.” Pobre Liza, espero que ela não tenha ouvido tudo isso de seu confortável quarto de hotel...

No final do show, depois de clássico após clássico, passando por todos os álbuns mais antigos do Maiden, o show acabou, com o Bruce Dickinson falando que, se a gente quisesse ver a Liza no dia seguinte, estava tudo bem, que a gente poderia se divertir.

Bruce também falou que havia 26.000 pessoas no local e que eles voltariam. Ele pareceu surpreso com um público tão grande num local onde eles nunca haviam tocado antes. Pois é Bruce, vocês são adorados aqui, não nos esqueçam. Ele disse que a banda certamente viria. Tem que vir mesmo! Ouvir o Bruce gritando “Scream For Me, Brasília!” foi um, com certeza, um dos pontos altos da minha vida e da vida de muitas outras pessoas que cresceram ouvindo o Maiden e que estavam lá!

RUN TO THE HILLS, LIZA MINELLI! RUN FOR YOUR LIFE

Ps- a fanzineira e programadora de rádio que escreveu essa resenha gosta muito da Liza Minelli, sabe que ela canta bem para cacete, mas entrou no espírito Iron Maiden de zoar com a coitada. Ninguém que já tenha contribuído com a dogzsongs deseja fazê-la correr para lugar nenhum, nem para as montanha, nem para o mar. Todos gostamos muito dela e eu acho a versão dela de New York, New York melhor que a do Sinatra.