O REI ESTÁ MORTO

 

GLÓRIA E DECADÊNCIA

 

-matéria publicada no Correio Braziliense de 26 de junho de 2009

Autor: Rodrigo Craveiro do Correio Braziliense

  Às 12h26 (16h26 wm Brasília) de ontem, o Corpo de Bombeiros de Los Angeles, na Califórnia, recebeu uma ligação da mansão Michael Jackson. Quando os paramédicos chegaram ao local, o astro da música que arrebatou milhões de fãs pelo mundo e experimentou uma decadência marcada por denúncias de pedofilia e comportamento bizaroo já não mais respirava. Acabara de sofrer uma parada cardiorrespiratória. A equipe de emergência tentou uma manobra de ressuscitação cardiopulmonar. Michael não reagiu. Mesmo assim foi levado, em coma profundo, ao hospital do Centro Médico da Universidade da Califórnia (UCLA), a apenas 4km de sua casa - seis minutos de ambulânica. às 13h7 (17h07 em Brasília), o cantor de 50 anos que havia entrado para a história como um dos maiores ícones pop do mundo foi declarado oficialmente morto.

  Além do imenso legado para a música e a cultura pop, Michael Jacson também foi fonte inesgotável de escândalos: atribuiu a mudança de cor de pele ao vitiligo, safou-se de acusações de pedofilia, foi filmado sacudindo o filho do quarto andar do Hotel Adlon, em Berlim, sete anos atrás, e morreu endividado.

  A polêmica envolvendo sua figura também repercutiu em sua morte. As primeiras notícias sobre a parada cardíaca de Michael Jackson surpreenderam o planeta por volta das 18h. Minutos depois, sites de celebridades e jornais, como o britânico The Times eo norte-americano Los Angeles Times, já anunciavam a morte do mito com base em informações divulgadas pelo tablóide online norte-americano TMZ. No início da tarde, Joe Jackson, pai do artista, havia dito que o filho "não estava bem".

  Até as 19h30, contuda, as informações ainda eram desencontradas - o real estado de saúde do cantor era desconhecido. O Correio entrou em contato com o hospital para onde Michael foi levado e o porta-voz da unidade, Mark Wheeler, declarou que seria impossível repassar informações. "Desculpe-me, mas não podemos confirmar qualquer informação. Temos uma lei federal que nos proíbe divulgar dados particulares de paciente", afirmou.

  Centenas de fãs correram até o lcoal, em busca de notícias. Muitos deles choravam, O Departamento de Polícia de Los Angeles abriu um inqérito para apurar as causas da morte, ainda que os oficiais tenham reforçado a inexistência de indícios criminais.A expectativa é de que o corpo de Michael seja submeitdo a uma necropsia hoje - os resultados devem ser divulfados à tarde.

  O rei do pop chegou a acumular uma fortuna de US$ 8 bilhões e a gastar anualmente US$ 30 milhões a mais do que ganhava. Morreu em meio a dívidas, morando em uma masão alugada por US$ 100 mil mensais em Bel Air, bairro de Los ANgeles. Ele apostava que a série de 50 shows em Londres - a turnê começaria em 8 de julho próximo e se estenderia até 6 de agosto de 2010, o ajudaria a recompor a vida financeira. Todos os ingressos estavam esgotados.

  O advogado Brian Oxman, porta-voz da família Jackson, disse à rede de TV CNN que o cantor tomava medicamentos controlados para lidar com lesões do passado, como uma fratura na perna e na costela, e buscava estar em forma para a maratona de shows. Arnold Schwarzenegger, ator e governador da Califórnia, afirmou que o mundo "perdeu uma das figuras mais influentes e emblemáticas da indústria musical." A cantora e também popstar Madonna não escondeu a emoção, em entrevista à revista People. "Eu não posso parar de chorar. Eu sempre admirei Michael Jackson. O mundo perdeu um dos grandes, mas sua música viverá para sempre", desabafou.

 

>>Ícone

 

  Especialistas em cultura pop consultados pelo Correio admitem que a figura de MIchael se sobrepunha aos escândalos. "Como Elgvis Presley eo os Beatles antes dele, Michael Jackson tornou-se um fenômeno global. Mas ele ascendeu à posição de celebridade global na éoca em que vídeos musicais e a tecnologia digital se tornaram popularizados.", afirmou Mark Anthony Neal, professor de cultura popular negra da Duke University, com sede em Durham (carolina do Norte). Na opinão dele, o astro se tornou um artista pioneiro, que abriu as portas para a explosão da indústria da música pop. Para Neal, o que tornava Michael especial era o fato de ele ter criado uma conexão emocional com todos aqueles que foram impactados por sua música. "Ele foi parte de um grupo restrito de cidadãos globais, como Mahatma GFandhi e Martin Luther King Jr. que tinham esse tipo de influência", acrescentou.

  Robert Thompson, diretor do Centro Bleier para Televisão e Cultura Popular da Suracuse University, também acredita que Michael foi "um dos maiores ícones de toda a história dos Estados Unidos, compara a Elvis Presley e Frank Sinatra". " Ele dominou uma porção da cultura americana por um longo tempo", declarou, por telefone. Os números reforçam, a teoria de Thompson: em 47 anos de carreira, Michael vendeu 750 milhões de discos e ganhou 14 Grammys. Thriller foi considerado um dos melhores e mais vendidos álbuns da história, com 65 milhões de cópias.

  "Ele se tornou tão famoso, uma celebridade tão grande, que isso o forçou a se retirar da vida real. Michael etava tão isolado da vida exterior que ele começou a acreditar que seu comportamento era completamente normal", disse Thompson. O estudioso admite que as denúncias de pedofilia foram muito ruins para a carreira do popstar. "Ele despareceu por um tempo,mas acho que seria capaz de encher um estádio novamente, pois tinha muita eneria", concluiu. Jackson deixa três filhos? Prince Michael I, Paris Michael e Prince Michael II.