GUNS N'ROSES EM BRASÍLIA!!!

RESENHA ANTIGA,MAS VALE A PENA LER!!!

 

12 de março de 2010. Algo inacreditável aconteceu: o Guns’n’Roses tocou em Brasília.

Ta legal. Sei que não era a mesma banda da formação clássica do Rock In Rio de 1991. Sei também que o Slash não estava presente. Mas também sei o Axl Rose mandou muito bem e que os músicos que o acompanham são maravilhosos. Destaque especial para o DJ Ashba, um guitarrista maravilhoso que soube agitar a galera e tocou com respeito todos os fraseados clássicos do Slash.

O show foi aberto pela banda de heavy progressivo local Khallice, que não fez feio. Os caras fecharam com um cover de responsa de Burn do Deep Purple. Só por isso já ganharam meu coração. Eu acompanho o Khallice desde que eu tinha meus 13 anos de idade, quando eles iam tocar nos recreios da Escola Paroquial Santo Antônio em 1989/1990. O guitarrista deles, Marcelo Barbosa, tinha cabelo curto e usava óculos, mas já sabia tocar o solo de Stairway To Heaven todo e perfeitamente na época. E olha que ele só tinha 14 anos de idade. Eu nunca falei para ele, mas ele era o ídolo de toda a molecadinha que sonhava em tocar guitarra ou que arranhava um violão. 14 anos e já tocava Stairway To Heaven completa e perfeita! Nós o admirávamos muito! Hoje em dia, o cara tem até coluna na Guitar Player brasileira! Manda muito!

Bom, o Khallice saiu e o palco foi preenchido pelos equipamentos da banda do Sebastian Bach. Eu sabia mais ou menos o que esperar, pois conhecia o Skid Row razoavelmente bem.

Sebastian Bach arrasou. Não preciso falar muito mais. O cara ao vivo igual ao que ele canta em estúdio. E mais: ele não envelheceu nada e sua voz continua exatamente a mesma. Um show de simpatia, talento e beleza (eu sou mulher, posso escrever isso aqui, poxa!). E ele tocou aqueles clássicos que eram hinos da molecada dos anos 90. Na hora de Eighteen And Life eu pirei. Aquele sempre foi a minha música favorita do Skid Row.

Em suma, Sebastian Bach foi impecável. Havia no público gente que tinha ido ao show somente para vê-lo. Sua banda era incrivelmente coesa. Os músicos foram fantásticos. Não houve piroctenia no show, pois os efeitos estavam “guardados” para o show seguinte, mas, mesmo assim, Sebastian Bach foi incrível.

Aguardamos por volta de duas horas para o Senhor Axl Rose. Enquanto isso, pessoas que estavam nas cadeiras, em baixo, pulavam a cerca para a pista VIP.

E eu notei que o público tinha gente de todas as idades, desde pré-adolescentes que conheceram o Guns no YouTube ou no Guitar Hero até trintões e quarentões que realmente curtiram na época. Alguns fãs mais exaltados estavam realmente vestidos iguais ao Axl. Ouvi falar de um cara com short justo na pista, mas eu não o vi. Eu acabei vendo um sujeito de cabeça raspada, bota e kilt, que é o tradicional saiote escocês. A galera que curtiu Guns na época se lembra de o Axl fez história usando um kilt na época do Use Your Illusion.

Depois de uma longa espera, o show começou. Eu confesso que nunca imaginei que um show daquele porte pudesse ocorrer em Brasília. O palco não tinha dois, mas sim TRÊS níveis. Nem o show do Iron Maiden, que havia ocorrido em março de 2009, tinha tido uma produção tão rica. Eu imaginava que só poderia poderia ver um show daquele porte em Los Angeles ou em Londres. Algo daquele nível eu só tinha visto no cinema no cinema quando lançaram o This Is It do Michael Jackson.

Eu estive no show da Madonna em 2008, mas o show do Guns foi mais alma.

O show da Madonna teve muitos efeitos de vídeo e um grupo de bailarinos. Havia até um grupo de música cigana fazendo participação especial. Mas o show do Guns, eu afirmo, foi mais, bem mais do que isso.

Estávamos esperando há pelo menos duas horas quando Mr. Axl Rose e sua trupe subiram ao palco. E o show foi fantástico.

Eles começaram com músicas do Chinese Conspiracy, que funcionam muito bem ao vivo. Eu não estava muito empolgada com essas canções ao ouvi-las no YouTube, mas ao vivo elas funcionam, sim.

Axl não corre mais tanto no palco quanto antigamente, mas sua voz continua a mesma, com graves fortes e agudos rasgados. O único problema foi a sonoridade do local, que abafava a voz do Axl quando as três guitarras começavam a soar juntas.

Houve todo o tipo de pirotecnia que vocês possam imaginar, até mesmo canhões de fogo com labaredas de uns três metros e recursos em vídeo.

Acima do palco havia alguns painéis que eu não fazia idéia para que serviam antes de o show começar, mas que viraram telas de vídeo quando as músicas começaram a ser executadas.

E a galera delirava. Um casal na casa dos trinta e muitos pulou das cadeiras para a pista VIP na minha frente e eu vi quando eles se beijaram na hora de Patience. Muitas lembranças para quem viveu na época. Pura nostalgia para os trintões, sonho realizado para a molecada de cerca de quatorze anos que tinha conhecido o Guns no Guitar Hero.

Welcome To The Jungle começou com DJ Ashba tocando o já clássico riff em cima do retorno. Ele tocou uma vez. Parou. A galera gritou. Ele tocou de novo. Parou novamente, fazendo a galera ficar no suspense. Ele começou a tocar de novo a frase na guitarra e a banda o seguiu. Todos deliraram.

Eu toco guitarra e eu confesso que nunca vi tanta guitarra bem tocada na vida. E os guitarristas são todos carismáticos. Um deles chegou a “ir para a galera”. As pessoas o pegavam, o tocavam. Houve a necessidade de interferência dos seguranças para que o show continuasse.

Um outro guitarrista usava uma guitarra de dois braços e fazia fraseados complexos em seu instrumento.

E o Axl Rose comandava o show. Eu estava mais ou menos próxima e vi a sua movimentação de palco. Eu delirei, assim como todos os presentes, quando eles tocaram Sweet Child O Mine, que é um clássico do joguinho Guitar Hero e é um hino da adolescência de todos que curtiram uma época em que as rádios tocavam músicas boas, uma época em que a música ainda tinha sentido e não havia pseudo-hermafroditas beijando mulheres em poses fake de lesbianismo para vender mais músicas. Uma época em que Kurt Cobain e Michael Jackson ainda eram vivos, que o Metallica conseguia atingir o primeiro lugar das paradas de sucesso e que o Guns’n’Roses tocava no Rock In Rio. Essa era uma época em que você não precisava se esforçara para ouvir música boa, ela chegava até você. Hoje em dia você tem que procurar para achar algo bom, pois só o que chega até a gente, além de pseudo-hermafrodistas que fingem ser lésbicas em clipes que glorificam o homicídio em massa e a vida em presídios, são os artistas-imagem, que são meramente bonitos, e mais nada. O que é a Lady GaGa sem as roupas exóticas? O que é o 50 Cent sem o seu corpo perfeito ou a Ivete Sangalo sem pernas bem torneadas?

Pois é, eu sinto saudades da época em que eu andava nas ruas e podia ouvir os aparelhos de som à venda nas lojas de departamento tocando Sweet Child O’ Mine. Eu sinto saudade dos tempos em que a música boa era popular.

E eu me recordei de tudo isso no show do Guns em 2010. Foi um momento mágico para quem esteve presente.

Axl terminou o show pedindo desculpas de uma forma meio brincalhona, meio irônica, pois tinha mantido nós “crianças” fora da cama até tarde.

Tudo bem, Axl, a gente perdoa. Mas não deixa a gente esperando mais quinze anos até o próximo disco do Guns.

Quem foi o mais sortudo da noite? Algum desconhecido na pista que conseguiu pegar o microfone que o Axl jogou para a platéia.

Em suma, foi uma noite inesquecível para todos os presentes, trintões, quarentões e pré-adolescentes. O show do Guns provou que a boa música é eterna. Sempre vai ter alguém querendo ouvi-la. Não sei se haverá alguém ainda interessado em Telephone da Lady GaGa daqui há uns quinze anos, mas com certeza haverá algum moleque de doze anos tentando tocar a introdução de Sweet Child Of Mine na guitarra.

 

fotos_guns >>>>>>>>>>>FOTOS DO SHOW TIRADAS COM O BLACKBERRY<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<

 

 

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