RESENHA DO SHOW DO TONY MARTIN
BAR BLACKOUT BRASÍLIA
5/09/2009

Segui para o show do Tony Martin no sábado, dia 5 de setembro, sem saber direito se iria conseguir comprar o ingresso ou não.

Eu não tinha comprado a entrada com antecedência e não tinha muita esperança de conseguir comprar tão “em cima da hora”. Mas consegui, o que me deixou bastante feliz.

Como cheguei bastante cedo, tive a felicidade de pegar um pedaço da passagem de som e ver o próprio Tony Martin de perto. O cara ainda manda muito e estava usando um cabelo esquisito, se é que se pode chamar aquilo de cabelo: tudo raspado com o que parecia uma tatuagem tribal formada com os  cabelos remanescentes na nuca. O que mais achei interessante foi um pedal que ele usava que acionava loops para “dobrar” a voz, como que áudios pré-gravados da própria voz para ele cantar junto. Interessantíssimo, algo como levar seus vocais de apoio/backing vocals em uma caixinha para qualquer lugar.

Parte da banda era de músicos brasileiros contratados para acompanhar Tony Martin no Brasil e eu já tinha visto o guitarrista tocando com o John Lawton, em fevereiro. O tecladista, no entanto, era o Geoff Nichols, o “quinto membro do Black Sabbath”, enquanto que o batera era um mostro inglês que batia pesadíssimo de nome Danny Needham. Além de tudo, esse batera ainda era bonito.

O show começou logo depois do jogo Brasil X Argentina, que o Brasil ganhou. O pessoal assistia ao jogo tranquilamente enquanto esperava pelo início do show e até o Geoff Nichols veio dar uma olhada no resultado.

Desde o início, Tony Martin mandou muito e demonstrou bastante carisma para uma pequena platéia em êxtase que sabia quase todas as músicas de cor.

É interessante que os fãs de Sabbath sempre comentaram entre si que Tony Martin não seria grandes coisas ao vivo. Ocorre que o que eu vi no dia 5 de setembro foi bastante diferente. O sujeito cantou muito, com ou sem loops, e foi tremendamente carismático, tocou até violino em uma das músicas de sua carreira solo.

Quanto ao repertório, Tony Martin levou um show recheado com velhas músicas do Sabbath, em especial do Eternal Idol, do Headless Cross ( o show era comemorativo dos vinte anos do álbum), e do Tyr.

Desses três discos, Tony Martin participou mais efetivamente (como compositor) dos dois últimos. O Eternal Idol era para ter sido gravado por outro grande vocalista, Ray Gillen. Por alguma razão, Ray Gillen não participou da gravação e Tony Martin foi chamado para substitui-lo. Acabou ficando na banda, onde gravou, além dos já citados Headless Cross e Tyr, o Forbidden e Cross Purposes.

A platéia era minúscula, talvez por causa do jogo da Seleção Brasileira, que aconteceu no mesmo dia, e o lugar não era tão bom para um músico do quilate de Martin, mas a platéia estava agradecida e a acústica estava boa.

No final do show, Martin esbanjou simpatia e autógrafos e todos os músicos foram muito legais com os fãs.

Saí do show extremamente feliz e pensando que talvez o Tony Martin tivesse preferido tocar um lugar como o bar Blackout numa cidade totalmente fora do mapa do Rock do mundo em uma espécie de missão. Aqui em Brasília houve uma cena roqueira nos anos 80/90, mas que foi completamente obliterada por um massacre de sertanejos bonitinhos e pouco afinados . Possivelmente Tony Martin topou tocar em um lugar novo e desconhecido, que é um lugar fora do eixo do rock mundial, para conquistar público e divulgar boa música. Talvez ele ganhasse mais grana num show na Austrália ou em Los Angeles, mas quem foi brindado com aquela performance muitíssimo legal fomos nós, fãs brasilienses.

Grande show, fantástico. Platéia pequena, música de primeira.

O Headless Cross é um disco excelente. Os fãs mais novos de Sabbath, aqueles que só conhecem umas cinco músicas do Paranoid, podem até ignorar o álbum, mas não há como negar a qualidade da música.

Headless Cross é um clássico do metal, tão importante para a história do Sabbath quanto uma Sabbatha Bloody Sabbath, e, na noite do dia 5 de setembro, a gente percebeu que aquele disco iria ser ouvido para sempre, pois a boa música é eterna.

Obrigada a Tony Martin, aos músicos da banda e produtores que trouxeram o show. O público brasiliense merece música boa.

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