Whitney Houston Morre a Diva

A MORTE DA DIVA DO R&B E DO POP R.I.P. WHITNEY HOUSTON

 

 

 

 

    Normalmente não escrevo sobre música negra americana, mas a morte da Whitney Houston me levou a isso.

   Whitney era a diva suprema do R&B, ou Rhythm and Blues, na segunda metade dos anos 80 e nos anos 90. Sua voz era inigualável, encorpada, e sua técnica era impecável.

   R&B é a música de origem americana feita pelos negros de lá e mistura músicas românticas, uma batida legal, e as melhores vozes que dá para imaginar no universo da música popular. O R&B deu origem ao Rock, que deu origem a um monte de coisas que ouvimos até hoje.

   Whitney Houston vinha de uma família de cantoras: sua mãe era Cissy Houston, cantora de música Gospel, e sua prima era Dionne Warwick.

   Ela surgiu com um álbum chamado Whitney Houston, e estourou. Além de cantar fantasticamente, ela ainda era bonita.

   Teve muito sucesso.

   Depois, ela se casou com Bobby Brown...

   Bobby Brown vinha de uma banda chamada New Edition, que fez sucesso no início dos anos 80, e tevealguns hits nas paradas d0os EUA lá pelos idos de 1989. Bastante feio, Brown tinha os dentes separados, era gorducho, e fama de bad boy.

   O casamento foi turbulento e Whitney se afundou nas drogas junto com seu então marido. As aparições de Whitney, sempre acompanhada de seu medíocre consorte, passaram a ser bizarras. O show de aberrações teve prisões, clínicas de reabilitação, sátiras em programas humorísticos, e até mesmo (pasmem!) um reality show. Sim, houve um reality show chamado Being Bobby Brown em que o mesmo aparecia sendo julgado por bater na Whitney, entre outras coisas prosaicas.

   A beleza de Whitney se esvaiu e ela começou a desafinar, o que era injustificável para alguém tão estupidamente talentoso.

   Houve uma edição do Oscar em haveria uma apresentação de Isaac Hayes, conhecido por vários hits de R&B e por dar voz ao personagem Chef de South Park, em que ele se tocaria com algumas cantoras. Whitney deveria cantar nessa noite, mas ela estava tão drogada que não deu conta. Tiveram que chamar sua prima Dionne Warwick às pressas para cantar.

   O programa de comédia americano MAD TV (deve ter alguma relação com a revista) começou a apresentar sátiras em que a atriz Debra Wilson imitava com perfeição uma Whitney visivelmente “cheirada” e até fumando crack. Debra era tão convincente que até mesmo conseguia cantar as músicas da Whitney. Em suas performances, Debra vinha sempre acompanhada de um ator muito legal, que imitava o Bobby Brown, e que aparecia sempre com o nariz coberto de um pó branco e fazendo dancinhas ridículas.

   Em Being Bobby Brown, o mesmo aparecia dizendo pérolas como “Estive preso! Isso é americano”, enquanto Whitney, aparentando ter cheirado alguma coisa, gritava “Kiss my ass”.

   O Kiss My Ass virou ganhou até versão remix no YouTube.

O pessoal ria das loucuras da família, mas, no fundo, todo mundo queria mesmo era que Whitney percebesse que seu marido era um parasita sem talento e que o deixasse. Parecia que, se ela se separasse dele, ela largaria as drogas e voltaria a cantar da forma como nos lembrávamos.

   E, depois de anos mexendo com drogas pesadas, entre as quais o próprio Bobby Brown, Whitney deu a volta por cima e retornou em 2010 com um hit chamado I Look To You, que foi até tema da novela Viver a Vida.

   Whitney voltou mais velha, um pouco mais gordinha, mas ainda cantava muito.

    Alguns fãs reclamavam, dizendo que a voz dela havia mudado. Sim, havia mudado. Mas a voz de todos nós muda, às vezes até mesmo no decorrer do dia. Eu, por exemplo, acordo com a voz grave e só fico com um registro mais ou menos normal lá para o meio do dia. Há inúmeros casos de gente que perde algumas notas de seu registro, ou que têm que mudar o tom de certas músicas para acompanhar. Isso tudo é normal. É efeito de envelhecer.

   Ocorre que os fãs mais antigos reclamavam com alguma freqüência. Na verdade ela continuava cantando muito, mas muito. Sua voz tinha ficado um pouco mais grave e ela estava soando muito parecida com sua prima, Dionne Warwick.

   Daí veio o Grammy, ela foi para Los Angeles e morreu na véspera.

   O quê? Whitney morreu?

   Peguei meus bolachões de vinil e fiquei ouvindo e chorando. Que merda! Ela era ótima! Na minha opinião, ela colocava a Mariah Carrey no bolso.

   Mariah Carrey parece mais preocupada em mostrar quantos agudos atinge do que em emocionar. Seu registro alto, assovio (whistle), é usado tantas vezes e de forma tão exagerada nas músicas que machuca os ouvidos. Ela fez implante de silicone e parece apontar para os próprios seios em todos os clipes, além de se contorcer como se estivesse com cólicas. Whitney não precisava disso, pois sua voz era mais bonita. Além disso, Whitney nunca “matou” nenhum clássico do Hard Rock. Ainda estou tentando superar a versão de Mariah Carrey para o clássico “Bringing On The Heartache”.

    No Brasil não posso citar qualquer cantora que pudesse ter chegado aos pés da Whitney em técnica. Sim, eu me refiro em técnica na música pop. Whitney era perfeita. Simplesmente isso. Posso ser apedrejada pelo que vou falar, mas nem mesmo Elis Regina poderia se comparar a Whitney nesse quesito. Algumas pessoas vão dizer, “ah, mas negros sempre cantam melhor que brancos”. Se fosse assim, tudo quanto é pagodeiro desafinado afro-descendente (todos são desafinados, mas nem todos são afro-descendentes) iria soar melhor que um cantor de ópera branco, mas não é desse jeito. Whitney tinha uma voz grande e encorpada, algo que pouquíssimas pessoas no mundo possuíam. Ela tinha um brilho raro e divino. Um presente de Deus, se é que existe Deus.

   Mas aí ela apareceu morta na banheira. Não havia drogas por perto e ela havia dado uma canja no show de uma amiga uns dias antes. Boatos rolaram de que ela teria misturado calmantes com álcool e muita gente criticou falando “essa gente do meio artístico”... Ah, tá...Até parece que as pessoas comuns não misturam remédios com álcool de vez em quando, ou que não tomam calmantes... Quem não tem pecados, que atire a primeira pedra!

   Aí vieram as redes sociais, em que as pessoas criticavam aqueles que lamentavam a perda do Wando e da Whitney. Putz, qual o problema de se lamentar a morte de alguém?

   Um punk conhecido falou o seguinte : “não lamentam a morte de um mendigo, mas lamentam a morte dessa mulher”. Caramba, eu não conheço todos os mendigos que morrem, mas era como se eu conhecesse a Whitney, pois ela estava personalizada em música na minha casa desde que eu era criança.

   Uma outra pessoa postou “ui, todo mundo agora é fã da Whitney” e desafiou os outros a dizer uma música que conhecessem dela que não fosse a do Guarda-Costas. Eu escrevi o nome de várias e ainda afirmei que tinha confirmado os nomes do meus bolachões de vinil e não de pesquisas no Google.

   Minha irmã era fã de Whitney e Djavan e só ouvia isso. Eu fui influenciada, obviamente. Eu sou cria dos anos 80 e, naquela época, a rádio tocava Whitney.

   Quando eu cresci, eu comecei a ouvir Heavy Metal, mas nem por isso deixei de achar que Whitney era uma diva. Eu só detestava I Will Always Love You, por achar demasiadamente chata, mas a culpa disso é da Dolly Parton, que escreveu a canção. Sabe a Dolly Parton? Ela é aquela cantora country dos peitões!

   Os facebookzeiros que criticaram as mensagens de dor pela perda de uma voz tão incrível não notam que existe uma realidade fora daquela rede social, um mundo que vai além da time-line. É, e nesse mundo rolam outras músicas, outras coisas. Também há uma história, um passado musical, músicas de que os outros se lembram... Facebook é uma realidade recente no universo, e mais recente ainda no Brasil. Até 2009 todo mundo tinha era ORKUT.

   Eu respondi aos facebookzeiros criando um meme, em que estava escrito “ui, eu não sabia que curtir Whitney Houston desde 1989 era tão ofensivo”. Dá licença adolescentes que começaram a ter acesso na internet depois da inclusão digital, eu estou aqui no mundo virtual desde 1996 e curto Whitney desde antes de existir Facebook, Twitter, Orkut, ou qualquer outra merda assemelhada que sirva para um ficar xeretando a vida do outro. Vocês nem eram nascidos em 1996, então calem a boca, pois a veterana virtual aqui sou eu!

   E quem nos sobra depois que Whitney morreu? Amy Winehouse morreu meses antes, possivelmente por causa de síndrome de abstinência de álcool. Michael Jackson morreu em 2009. Aqui no Brasil Elis já se foi faz tempo e a Cássia Eller, cujo único defeito foi gerar uma multidão de imitadoras sem talento que só têm em comum com ela o fato de serem lésbicas, morreu em 2002.

   Temos ainda Aretha Franklin e Dionne Warwick, mas tantas outras já se foram. Amy não chegou aos 30 e Whitney mal fez 48.

   Quais as grandes vozes que surgiram? Temos a Adele, mas só. Ela é a única que não precisa usar auto-tune ou ficar mostrando os peitos. As outras mostram as bundas, os peitos, usam e abusam do auto-tune e ficam dublando ao vivo para poderem dançar coreografias complicadas.

   Outra que curto é a Alicia Keys, que toca muito, canta muito, e não precisa ficar rebolando ou dublando. Fodam-se, cantoras reboladoras que dublam. Se for só para rebolar, prefiro a Gretchen!

    Estamos ferrados. Parece que a era das divas acabou. Talvez o mundo acabe, também. Não é isso o que diz a profecia Maia?

   Descanse em paz, Whitney. Sentiremos saudades. Você foi a melhor.

 

 

 

Whitney Houston

1963-2012

 

Alguns vídeos de Whitney:

Este aí em cima é de 1994.

 

 

Aqui um vídeo do Mad TV zoando a Whitney e o Bobby Brown, com a Debra Wilson. Sem legendas.

 

Observem o nariz do "Bobby"

Aqui um trecho de Being Bobby Brown:

 

 

Ela morreu, e ele ainda está aí.

 

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